Saúde e DDHH
05/02/2018
Nota de repúdio da Regional VI contra a violência em comunidades da Zona Oeste
Nota de Repúdio – Regional VI/SEPE (Barra, Recreio, Jacarepaguá e Vila Valqueire)
 
Cidade de Deus. Em janeiro de 2018, foram 17 dias de tiroteios (Agência Lupa – App Fogo Cruzado). A média é de mais de um tiroteio por dia na região. A ação de “monitoramento” constante da polícia tem submetido os moradores a uma rotina de guerra e opressão. O abandono dessas famílias e as mortes resultantes desse cenário não têm registro na mídia. A interdição e o pânico na Linha Amarela, sim. E foi na contramão, por atrapalhar o tráfego, como na música de Chico Buarque, que a Cidade de Deus voltou a ser notícia, como sempre. A LAMSA, concessionária da via, diante de um faturamento vultoso em pedágios, realiza alguma ação que possa interferir concretamente na realidade das comunidades pelas quais a via passa?
 
A Escola Pública é a única referência institucional de respeito e valorização da vida humana que os moradores da Cidade de Deus possuem. Os frequentes tiroteios tiram dos alunos o direito ao número de dias letivos e de horas de aula que a lei garante. E é numa realidade como essa que a 7ª CRE decide fechar turmas de Creche e Educação Infantil, deixando essas crianças numa situação de ainda mais abandono e vulnerabilidade.
 
Nós, profissionais da Educação, passamos anos e anos trabalhando no sentido de contribuir para que a realidade dos nossos alunos mude. O abandono deles também é o nosso. As dificuldades deles também são as nossas. A luta de resistência deles também é a nossa. É muito difícil encontrar um ex-aluno num dia, conhecer suas perspectivas, e saber da sua morte no dia seguinte.
 
A Regional VI – SEPE – manifesta seu repúdio e indignação diante da falta de um olhar mais atento e próximo por parte do governo, sobretudo nas políticas educacionais voltadas para a Cidade de Deus e demais comunidades. A violência desses territórios massacra os seus moradores, que são alijados dos direitos fundamentais à dignidade da pessoa humana. Lutaremos cada vez mais por uma sociedade igualitária, inclusiva, libertária e transformadora e por uma Escola que seja a expressão e o instrumento de construção dessa sociedade.
Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
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