Saúde e DDHH
29/07/2012
No reinício das aulas, SEEDUC e SME vão à imprensa e tentam passar realidade diferente das escolas


Esta semana recomeçam as aulas no estado (dia 30/07) e no município do Rio (31/07). A SEEDUC e a SME passam à imprensa um mundo completamente irreal de nossas salas de aula, com projetos diversos, tudo sem a mínima discussão com os profissionais de educação e a comunidade.

A SEEDUC, por exemplo, informou que neste semestre 110 colégios terão PMs contratados em dias de folgaseria cômico, se não fosse trágico: policiais armados em colégios, comprovando não a falência da política para a educação, como também a falência da política de segurança do governador Cabral.

Ao invés de realizar concursos para funcionários administrativos especializados no contato com os alunos e na segurança das unidades, como os agentes educacionais, o governo contrata PMs, armados, totalmente despreparados para ficarem nas escolas.

Imaginem os profissionais de educação, assoberbados no controle dos alunos nas dependências das escolas, que existe uma enorme carência de funcionários, terem também que “controlar” PMs armados? Isso sem contar que os policiais poderão até mesmo revistar alunos na entrada do colégio ou intervir em alguma manifestação da comunidade ou do Sepe!

A SEEDUC também informa que as escolas terão “agentes de leitura” para “incentivar” os alunos. Por que o governo não incentiva de fato a comunidade escolar, dando condições dignas de trabalho a seus profissionais, pagando bons salários e concedendo uma estrutura decente às escolas? Sabemos porque o estado não faz isso: porque o investimento na educação pública não é uma prioridade do governador Cabral.

O Sepe convoca os profissionais de educação a paralisarem por 24 horas em 9 de agosto (quinta-feira) – é a nossa mobilização por um reajuste salarial justo para todos os profissionais de educação. Lembrando que em 2012 os professores não tiveram nenhum reajuste salarial! Tivemos, em 2012, reajuste zero! No mesmo dia 9, às 14h, ocorrerá assembleia no Clube Municipal, na Tijuca.

A categoria também mantém suas reivindicações básicas: pagamento de enquadramento por formação para os funcionários; fim da terceirização e da meritocracia; fim do sucateamento do IASERJ; reconhecimento dos animadores culturais, entre outras.

Mais um provão no município do Rio

o município informa que em novembro realizará um “provão” para saber o nível de alfabetização de cerca de 90 mil alunos do ensino fundamental. O prefeito Eduardo Paes aprofundou a lógica da meritocracia em nossas escolas municipais, dando mais importância às metas do que a educação; mais importância à premiação do que à valorização e às condições de trabalhoeste provão, tão propagandeado, é apenas mais um exemplo dessa política que relega o profissional da escola municipal a um mero cumpridor de metas.

O resultado desta política todos nós sabemos. Vivenciamos diariamente nas escolas e creches. Os departamentos da educação viraram gerências. Merendeiras estão em extinção. Faltam professores e funcionários. Agentes Auxiliares de Creche continuam com dupla função e agora mais precarizados, com contratos temporários. Agentes Educadores são desviados de função. As direções são obrigadas a atuar como gestoras de empresas. A política de inclusão exclui. Professores tornaram-se polivalentes e meros aplicadores de apostilas e provas. Os PII de 40 horas não têm equiparação e nem recesso. No auge da modernidade tecnológica o mimeógrafo ainda é um dos instrumentos de trabalho mais utilizados.

A prefeitura continua sem aplicar os 25% das verbas em educação. Os salários são baixos e o desvio de verbas públicas para a iniciativa privada aumenta a cada dia. Temos na rede mais de 90 projetos em parcerias com Institutos e Fundações. Esta realidade nos impõe uma tarefa: a mobilização, a luta para reverter a situação!

A SME também informou queneste semestre, 100 professores de religião darão aula na rede. O Sepe sempre se colocou contra a contratação de professores de ensino religioso na rede pública - o ensino público em nosso país é laico e não pode ser utilizado como apoio a esta ou aquela religião.


Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
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