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Os profissionais da educação precisam conhecer com urgência a relação existente entre sua saúde mental e física e as condições de trabalho a que estão expostosPoderíamos falar de váriasmas algumas são mais importantes como: o acúmulo de funções, a sobrecarga de tarefasos precários salários e planos de carreira, a alta carga horária, a indisponibilidade e a baixa qualidade dos materiais de trabalho, a falta de controle e de autonomia no processo de trabalho e o tempo de deslocamento de nossas casas para o trabalho.

Muitos profissionais estão adoecendo física e mentalmente em taxas alarmantescomo mostra o crescente número de afastamentos por esgotamento profissional (burnout) e depressãopara citar as categorias de transtornos mentais mais diagnosticadas entre os professores. O desconhecimento do potencial patogênico das condições de trabalho contribui para que os profissionais não se mobilizem diante do adoecimento de seus colegas e mesmo de si próprios.

Desafortunadamente, a maior parte de nossa sociedade é massacrada pelo discurso que situa nos indivíduos a culpa por problemas cujas causas estruturais são econômicas e políticas. No caso da saúde, o modelo biomédico e a indústria farmacêutica hegemônica consideram o adoecimento como um problema meramente pessoal e queportanto exige intervenção apenas sobre o indivíduoos fatores causais estruturais permanecem intocados e continuam a ser fonte de adoecimento não apenas para novos indivíduos como para aqueles que  se recuperaram de agravos anteriores. Com efeitoestamos inseridos em um modelo de saúde que na prática focaliza apenas a recuperação da doença, em detrimento da prevenção e promoção da saúde preconizadas pelo SUS

Deste modoquando os profissionais da educação enfrentam dificuldades físicas ou mentais em seu dia-a-diadificilmente irão pensar nas causas laborais que estão em jogo nos sintomas de que padecem. No entantoé preciso questionar a ideia de que esses sintomas são consequências de fraquezas e impotências individuaisProblema de insônia e de apetitecansaçofalta de motivaçãorelacionamentos pessoais prejudicadosúlceras gástricasproblemas dermatológicos e de pressão arterial, dentre outrossão sintomas bastante comuns de um problema que não é individual, mas político e econômico: a precarização do trabalho.

precarização do trabalho nas escolas públicas serve não apenas para produzir força de trabalho barata para as funções menos qualificadas no mercado de trabalhocomo também para engrossar o exército de reserva e ainda promover e justificar a privatização da educação públicaObviamente, a educação não é a única visada: a estratégia de precarizar os serviços públicos para promover a privatização dos mesmos é fundamental para legitimar a expansão do capital para áreas consideradas dever do estado e direito de todo cidadãoeducaçãosaúdemoradiatransporte etc.

Além de adoecer o profissional, a precarização do trabalhoacompanhada do individualismo hegemônicocontribui para promover a ruptura dos laços de solidariedade entre os trabalhadores e trabalhadorascolocando-os uns contra os outros na competição pelos escassos recursos disponíveis e legitimando a concorrência entre pares através do discurso da meritocraciausado amplamente para justificar a desigualdade de oportunidades que se oferecem para a população como um todo.

Neste cenário desoladornão é de espantar o vultoso crescimento de afastamentos por transtornos mentais e físicos entre os profissionais da educaçãoVultoso também é o lucro da indústria farmacêutica que financia discursos e práticas patologizantessobretudoentre os médicos e a mídiafazendo com que compremos remédios e tratamentos individuais ao invés de lutarmos pela transformação das condições que nos adoecem.

Não queremos remédionem para nossos profissionaisnem para nossos alunosqueremos a eliminação das condições que provocam o adoecimento. Para tantoprecisaremos transpor a imensa barreira do “cada um por si” que faz com que apenas soluções individuais sejam buscadas para problemas que dizem respeito a todos.

É totalmente necessária para nossa categoria que o SEPE construa um coletivo de saúde física e mental do trabalhador da educaçãotentativa feita em gestões anteriores que chamamos na oportunidade de Comunidade Ampliada de Pesquisa CAPE na área de Saude dos profissionais da educaçãovisando o engajamento da categoria nesse trabalhopara potencializar tanto o rompimento com a lógica mercantilizadorarealizando um tratamento coletivo dos sintomas, quanta a realização de ciclos de debate sobre as causas estruturais dos mesmos.

Secretaria de Saúde e Direitos Humanos do SEPE/RJ
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