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Um levantamento realizado pelo Sepe com 2.008 professores e professoras da rede pública municipal de ensino do Rio de Janeiro mostra uma realidade crítica dos efeitos da chamada “minutagem” — criada com a Lei Complementar Municipal 276/2024, de autoria do então prefeito Eduardo Paes, implementada em 2025, na gestão de Renan Ferreirinha, e que alterou as atribuições e a jornada de trabalho da categoria docente, sem a correspondente valorização remuneratória e sem a preservação adequada do tempo destinado às atividades extraclasse, como planejamento, preparação de aulas, avaliação e formação continuada.
A coleta de dados foi realizada no site do Sepe ao longo de 21 dias, entre 12 de agosto e 1º de setembro de 2026. Diante da dimensão e da gravidade das constatações, o sindicato encaminhará o relatório ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
O documento deverá subsidiar a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação da Capital, que questiona a constitucionalidade da lei e busca enfrentar a carência de docentes na rede. Inclusive, dados iniciais dessa pesquisa do Sepe já foram usados pelo MP para a produção da referida ação.
Baixe aqui o relatório completo (PDF)
PERFIL DOS PARTICIPANTES
A pesquisa abrangeu profissionais de diferentes etapas da Educação Básica, com expressiva predominância dos anos finais do Ensino Fundamental:
– Ensino Fundamental II (EF2): 68,8%;
– Ensino Fundamental I (EF1): 27,4%;
– Educação Infantil (EI): 3,2%;
– Educação de Jovens e Adultos (EJA): 3%;
– Educação Especial: 0,5%;
– Outros segmentos: 0,2%.
A questão permitia múltiplas respostas, pois um mesmo participante poderia atuar em mais de um segmento.
Em relação ao perfil demográfico, 58,6% das pessoas participantes declararam-se mulheres cisgênero.
PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E PERDAS FINANCEIRAS
A implementação da norma alterou drasticamente a rotina dos profissionais e das unidades escolares. Segundo os dados:
– 27,9% dos professores foram transferidos ou passaram a trabalhar em mais de uma unidade da rede;
– 84,8% afirmaram que a minutagem causou muito muito impacto na rotina familiar;
– 77% avaliaram que sua situação profissional ficou “muito pior” após a medida;
– 97% consideraram que sua situação profissional ficou “pior” ou “muito pior”.
O impacto econômico também atingiu a categoria de forma expressiva: 93% dos docentes relataram alguma perda financeira. Desse total, 30,1% passaram a gastar mais com deslocamento; 29,6% perderam a dupla regência; e 24,7% deixaram de ministrar aulas particulares por falta de tempo.
REDUÇÃO DO TEMPO EXTRACLASSE E PREJUÍZO À QUALIDADE DO ENSINO
Um dos pontos centrais denunciados pelo levantamento é o estrangulamento das horas dedicadas à preparação pedagógica. Após a implementação da minutagem, 63% dos professores passaram a não ter o tempo extraclasse plenamente garantido dentro da unidade escolar.
Como consequência direta:
– 62,7% avaliaram que a qualidade das aulas foi muito prejudicada;
– 86,4% apontaram como principal motivo para a queda no desempenho em sala de aula o cansaço e o esgotamento físico e mental. Em segundo lugar, com 78,2%, foi apontada como razão a piora no planejamento das aulas e atividades em razão da redução do tempo disponível;
– 87,9% relataram aumento da pressão e das cobranças por documentos, metas, relatórios e outras demandas nas escolas.
ADOECIMENTO GENERALIZADO E AUMENTO DO DESEJO DE DEIXAR A REDE
O estudo acende um grave alerta sobre as condições de saúde física e mental dos profissionais. Para 97,3% dos participantes, os profissionais docentes de suas unidades de ensino estão mais adoecidos após a minutagem.
– 92,8% afirmaram que sua saúde mental foi bastante ou muito afetada;
– 68,9% declararam que a saúde mental foi muito afetada; enquanto 50% relataram que a saúde física foi muito afetada;
– 43,9% dos que responderam precisaram tirar licença de saúde após a implementação da medida.
Além disso, 91,7% dos participantes observaram aumento das ausências, faltas, licenças e exonerações em suas unidades.
Esse cenário também gerou uma insatisfação generalizada quanto à permanência no serviço público municipal: 92,6% dos educadores afirmaram que pensam em deixar a rede “com alguma frequência”, “com bastante frequência” ou “o tempo todo”. Esse mesmo percentual, antes da minutagem, era de 50,6%, segundo o levantamento.

Um dado alarmante é o do percentual de professores que afirmam pensar “o tempo todo” em deixar a rede municipal, que saltou de 1,7%, antes da implementação da lei para 40,1% após a minutagem.
O Sepe está preparando e divulgará em momento posterior uma seleção mais ampla dos depoimentos enviados na pesquisa, sob anonimato, bem como cruzamentos de dados, como por gênero.
Baixe aqui o relatório completo

O Sepe convoca os profissionais da rede municipal RJ para a assembleia geral híbrida, que será realizada no próximo sábado, dia 26 de setembro, às 10h.
Os profissionais de Educação da rede estadual farão um ato de protesto na frente da ALERJ no próximo dia 29 de setembro, a partir das 14h. A manifestação foi uma deliberação da assembleia geral híbrida do dia 12 de setembro. Nesta plenária, a categoria também decidiu pela entrada em estado de greve da rede estadual.
A rede municipal de Petrópolis, em estado de greve, realizou assembleia geral online no dia 21 de setembro. Na plenária virtual, a categoria analisou e discutiu a proposta apresentada pelo governo municipal em relação às reivindicações dos profissionais das escolas municipais, que consistiu nos seguintes tópicos: