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Carta de solidariedade internacional a greve geral estudantil na Espanha
14 de outubro de 2016
O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro que representa professores e funcionários administrativos, como cozinheiras, inspetores e porteiros das escolas, vem por meio deste, declarar seu apoio a greve geral de estudantes na Espanha convocada pelo Sindicato de Estudiantes.
Somos contrários a entrada em vigor da revalidação franquista promovida pelo governo de Mariano Rajoy, que tem como objetivo restringir o sistema de educação a centenas de milhares de jovens de famílias pobres. A revalidação multiplica a seletividade atual através de exames aumentando de um para três, definindo um filtro triplo que irá descartar centenas de milhares de jovens entre 15 e 17 anos.
Acreditamos que só a luta mudará esta situação, e por isso nossa total solidariedade internacional a greve geral estudantil na Espanha.
Em 2016 nós educadores do Rio de Janeiro fizemos uma das maiores greves da histórria do nosso sindicato, durante quase 5 meses. Iniciada em 2 de março deste ano, a greve dos profissionais da educação da rede estadual foi motivada pelas péssimas condições de trabalho; mudança da data de pagamento do segundo dia útil para o décimo quarto dia útil; parcelamento do décimo terceiro salário; a mudança na contribuição da previdência de 11% para 14%; a demanda por eleições diretas para diretores das escolas; a falta de reajuste salarial em 2015 e 2016; além de outras reivindicações da categoria.
Algumas vitórias foram alcançadas com nossa greve, entre elas, duas demandas históricas de todo movimento dos educadores: a carga horária de 30 horas para os funcionários, que é um dos pleitos mais antigos dos educadores; e as eleições para direção escolar com participação de todos os segmentos, garantindo o direito de eleger os diretores das escolas através do voto da comunidade escolar, acabando com mais de uma década de indicações políticas do governo para este cargo.
“Unificou, agora é estudante, funcionário e professor” e “#OcupaTudo” foram as principais consignas desta greve. Mais de 80 escolas e a própria Secretaria de Educação foram ocupadas pelo movimento estudantil secundarista, que se somou à luta em defesa da educação pública, realizando uma verdadeira primavera dos cravos dos estudantes no Rio.
Alguns dos momentos memoráveis deste movimento foi a ocupação da Secretaria de Fazenda, em resposta ao não pagamento das aposentadorias e pensões, e a ocupação das escadarias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Foi esta última que levou os educadores a terem um papel decisivo que levou à derrota da reforma da previdência promovida pelo governo. A pressão exercida pela categoria em luta forçou o governador Francisco Dornelles a retirar o projeto de lei da casa legislativa. O governo do estado optou por jogar esta responsabilidade para o governo federal, onde o projeto de lei 257/2016 obrigará os Estados a realizarem a reforma em troca da negociação da dívida.
No Rio de Janeiro o campo que se coloca como o mais avançado na defesa dos direitos de todos os servidores do estado é o da educação, e este deve estar pronto para voltar a realizar grandes atos e até mesmo um outro grande movimento de greve para garantir direitos e os salários dos servidores!
A nossa luta por uma educação pública de qualidade para a classe trabalhadora é internacional.Todo apoio a greve geral dos estudantes da Espanha no dia 26 de outubro de 2016. Só a luta muda a vida!
