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Aposentados exigem conclusão das investigações sobre o Banco Master

Os servidores do estado do Rio de Janeiro, que têm no Rioprevidência o órgão responsável por administrar os recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do funcionalismo estadual, incluindo o pagamento de aposentadorias e benefícios a mais de 235 mil servidores ativos e inativos, continuam exigindo a conclusão das investigações sobre as fraudes bilionárias do extinto Banco Master que tinha a autarquia como um dos maiores investidores em seus fundos.

Para os aposentados, é importante se chegar a uma conclusão das investigações promovidas pela Polícia Federal a respeito das movimentações criminosas da instituição financeira, comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O Master deu um calote de quase R$ 60 bilhões, o maior rombo da história do sistema financeiro brasileiro, um golpe no qual estão envolvidos uma série de políticos de partidos da direita e da extrema direita e autoridades do Poder Judiciário.

Somente o Rioprevidência, entre outubro de 2023 e julho de 2024, aplicou cerca de R$ 3,7 bilhões em fundos ligados ao banco liquidado. O fundo de pensão então era gerido pelo ex-presidente Deivis Marcon Antunes, nomeado pelo ex-governador Cláudio Castro. Antunes acabou preso pela PF na Operação Barco de Papel em fevereiro de 2026 e foi um dos responsáveis pela criação de uma série de artifícios para burlar as normas internas do Rioprevidência e os órgãos fiscalizadores para permitir as aplicações financeiras do fundo de pensão no Master.

As investigações sobre estas irregularidades nas aplicações, que haviam sido denunciadas por órgão de controle das contas do governo do Estado como o Tribunal de Contas Estadual (TCE) e, também, o Ministério Público (MPE) continuam sendo realizadas para apurar as responsabilidades de Cláudio Castro e outros membros da direção do Rioprevidência pelos investimentos no Master e por suas conexões com Vorcaro.  

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Após a renúncia de Castro, o governador em exercício que assumiu o seu lugar, desembargador Ricardo Couto, demitiu toda a diretoria do Rioprevidência e determinou uma ação na Justiça para tentar reaver os recursos investidos na instituição liquidada. No decreto de Couto, toda e estrutura da autarquia foi reformulada, com exigência de certificação técnica para os seus conselheiros e prioridade para os servidores de carreira em cargos estratégicos do órgão.

O ex-governador Cláudio Castro já foi alvo de várias operações da Polícia Federal que investiga o seu envolvimento nas transações e com Daniel Vorcaro que culminaram na aplicação irregular de R$ 3,6 bilhões da previdência dos servidores fluminenses em Letras de Crédito e fundos do Banco Master.

De acordo com os indícios colhidos pela PF até o momento o ex-governador “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes da Rioprevidência no Banco Master”. Além de Castro, são alvo da operação Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como lobista e operador do esquema, e o ex-presidente Deivis Marcon Antunes, preso em etapa anterior da investigação.

Um fator que chamou a atenção dos investigadores é o fato de que os investimentos do governo do estado feitos no Master terem ocorrido em um período no qual o Banco já estava sendo investigado pelo Banco Central por causa das irregularidades das suas operações, falta de liquidez e suspeitas de fraudes financeiras reiteradas. Outros fundos de previdência de estados e municípios, todos ligados a políticos de partidos da direita, também inundaram os cofres do banco investigado com investimentos a fundo perdido.

Para o Sepe, é fundamental que o governo do Estado recupere os bilhões investidos no liquidado Banco Master e que as autoridades punam com severidade todos os envolvidos nestas negociações escusas que resultaram nos investimentos em títulos podres e a rede de influência do banqueiro Daniel Vorcaro com o governador Cláudio Castro e políticos que compunham a sua rede de apoio, como o candidato Flávio Bolsonaro (PL), um aliado do governador e que teve relações com Vorcaro reveladas pela imprensa, como no caso do pedido de dinheiro (US$ 64 milhões) para um suposto financiamento de um filme biográfico de Jair Bolsonaro, seu pai.

 

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