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Absurdo: Muro do C.E. Antônio Prado Junior cai e coloca em risco comunidade escolar
5 de novembro de 2026
Parte do muro do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior, na Praça da Bandeira, caiu na tarde do dia 4 de novembro. Afortunadamente, o muro desabou em cima da calçada, numa hora em que ninguém passava pelo local e não houve vítimas. Por mais absurdo que possa parecer, a parte estrutural do muro que rodeia a tradicional escola já apresentava problema há anos, por conta de raízes de árvores que o pressionavam e a SEEDUC e o governo do estado, frequentemente citadas na imprensa por causa de escândalos e desvios de verbas para obras nas escolas estaduais, não fizeram nada.
Há cerca de um ano, a direção da escola abriu o processo junto à SEEDUC e a Coordenadoria Metropolitana 6 para que fosse feita uma reforma no local. Mas após meses de cobranças e promessas, nada foi resolvido. No meio deste ano, após um forte vendaval, a Defesa Civil decidiu interditar a calçada do colégio
A Metropolitana 6 foi novamente cobrada para agilizar as obras e afirmou que o processo já estava em andamento. Há cerca de três semanas, após uma forte chuva, novamente a diretora regional administrativa foi avisada pelo Sepe da gravidade da situação. A questão não era mais se o muro ia cair, mas quando ele iria cair. E nada foi feito para solucionar o grave problema que colocava em risco não só alunos e profissionais da unidades, mas também a população em geral na calçada que circunda o colégio.
E o desabamento parcial veio a acontecer na quarta-feira (4). Depois da queda da fachada, funcionários da Comlurb foram orientados a derrubar cerca de 70% do muro principal. O Sepe e a comunidade escolar cobram do governo o início imediato das obras, recuperando a arquitetura original de caráter histórico e tombado pelos órgãos públicos.
Muro cai, mas SEEDUC gastou quase R$ 1,6 bilhão em contratos de obras e serviços irregulares
Uma reportagem do portal do Jornal O Globo, do dia 30 de setembro, apresentou uma série de denúncias a partir de investigações e auditorias efetuadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governador em exercício Ricardo Couto em contratos da gestão do ex-governador Cláudio Castro, em especial na SEEDUC, sob a gestão da ex-secretária Roberta Barreto.
Segundo a matéria, o GSI estima que até R% 1,6 bilhão em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação contenham indícios de fraude e, até mesmo, de formação de cartel. As investigações foram o resultado de denúncias anteriores sobre desvios de verbas de manutenção para obras nas escolas, envolvendo a gestão da ex-secretária Roberta Barreto, com obras superfaturadas e irregularidades de todos os tipos.
O governo estadual informou ao Globo que os contratos foram suspensos para reavaliação. A suspeita é de que 95% das 1.241 escolas estaduais tenham contratado obras de forma irregular, segundo o Gabinete de Segurança do governador em exercício.
As investigações mostraram que entre os indícios de atos ilícitos há dispensas de licitação – uma prática recorrente durante a gestão de Barreto à frente da SEEDUC e alvo de diversas investigações do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público Estadual, como no caso das compras de livros paradidáticos – para reformas na unidades escolares, os quais, pelos valores envolvidos, não poderiam ter sido feitas. Desde 2022, uma resolução do então secretário Alexandre Valle criou um teto de R$ 880,00 para despesas de emergência.
Ainda de acordo com a reportagem do Portal do Globo, as investigações e auditorias apontam para a suspeita de existência de um cartel em vários contratos analisados, um suposto esquema de cartas marcadas para vencedores tocarem reformas em unidades educacionais.
O Sepe lamenta o ocorrido no Colégio Estadual Prado Júnior e espera que as investigações sobre os desvios e fraudes nas licitações e obras nas escolas estaduais chegue a um termo e todos os responsáveis pelo roubo de dinheiro público recebam a punição devida.
Os escândalos são uma prova de que dinheiro existe, mas é utilizado muitas vezes de forma fraudulenta. Isso torna o desabamento do muro na tradicional escola Tijucana uma prova de como o governo do estado administra mal um dos seus maiores patrimônios: os estudantes das escolas da rede estadual do Rio de Janeiro. E coloca em risco a vida de alunos, categoria e cidadãos em geral, que agora passam nas calçadas que circundam as escolas com o risco de serem atingidos por muros mal conservados.
Um dos exemplos apontados mostra uma escola cívico-militar de Realengo, que deveria ser inaugurada no início de 2026, mas no local só existe refugo de obras espalhado. O endereço da unidade fantasma – um dos carros chefes das promessas de campanha de candidatos da extrema direita ligados ao Bolsonarismo (no debate dos candidatos a governador do dia 29/9, o presidente da ALERJ, Douglas Ruas, exaltou este nefasto modelo de educação militarizada) –, onde já deveria funcionar a tal escola cívico-militar, o cenário é de abandono, segundo a equipe do jornal que esteve no local.
De acordo com o GSI, foram aprovados R$ 14,3 milhões em despesas para a construção desta unidade fantasma, englobando quatro contratos firmados com empreiteiras e R$, 47 milhões só para desapropriação do terreno.
As denúncias das auditorias realizadas até agora prosseguem com os contratos de obras e reformas em outras unidades da rede estadual, que também foram feitos de forma irregular. Segundo o GSI todas a auditorias com indícios de crime foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual. Segundo a reportagem as irregularidades foram encontradas em outas secretarias da antiga gestão de Cláudio Castro. De acordo com o chefe do GSI, delegado Roberto Leão, os responsáveis identificados responderão por improbidade e terão de ressarcir os cofres públicos.
