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Resposta do Sepe para artigo publicado na Revista Veja desta semana


A REVISTA VEJA E UM DESSERVIÇO À EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL


Em artigo publicado na sua coluna da Revista Veja (edição 2488, de 27/7/2016), o economista Cláudio Moura Castro apresenta sob um viés economicista um texto mostrando que, na visão dele, os professores brasileiros em geral não ganhariam tão mal assim. O economista, inclusive, afirma que o piso no Rio – ele não explicita se nas redes estadual ou municipais, nem de onde foram tirados tais dadosseria maior que o de outras profissões (também não explica que profissões seriam estas nem de que nível de escolaridade). Mais uma vez, a imprensa se presta à veiculação de material que constitui um ataque à Educação Pública e aos educadores.


Numa clara defesa da questão da meritocracia, Moura Castro defende que o rendimento dos profissionais em sala de aula deveria ser um índice importante para a remuneração final dos educadores. Em outra parte do artigo, ele ataca até mesmo a questão da aposentadoria especial e a paridade salarial para os professores inativos. E, por meio de cálculos que afrontam a lógica e a defesa dos direitos dos servidores públicos, o economista chegou à conclusão que, para “um seleto grupo” que faça uso de todas as garantias constitucionais, a aposentadoria poderia chegar após um tempo em sala de aula de 11,5 anos.


A visão do articulista, infelizmente, encontra eco nas cabeças de governantes e empresários, que defendem o neoliberalismo e o fim da educação pública em nosso país. Moura Castro se presta a um papel de disseminador das ideias ditadas pela nefasta cartilha do Consenso de Washington, atacando uma categoria que, por incrível que pareça, foi apresentada pela própria revista em que ele trabalha como a que tem “um dos piores salários entre a sua categoria em todo o mundo e recebe uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB per capita nacional.” (Revista Veja, edição de 04 de outubro de 2015). 


Artigos como o publicado na edição de Veja desta semana se prestam para disseminar uma falsa versão sobre fatos que são do conhecimento de todos e que as greves da educação que eclodem em todo o país desde o início do ano mostram o que não pode ser escondido: os governos das diferentes esferas (federal, estadual e municipal) não investem na valorização profissional dos educadores no Brasil nem na melhoria das condições de trabalho nas escolas públicas espalhadas pelo país


Dizer que um professor das redes públicas não ganha mal no Brasil, soa como um acinte e uma flagrante injustiça (além de falta com a verdade) contra uma categoria que é obrigada a cumprir a sua missão, muitas vezes recebendo vencimentos abaixo até mesmo do salário mínimo e que trabalha sob condições precárias para oferecer aos filhos da classe trabalhadora uma possibilidade de acesso ao conhecimento e à cultura, para que estes se tornem, assim, agentes da sua própria transformação social. 


Em nossa opinião, Veja deveria se preocupar com o descalabro dos salários e os mecanismos de aposentadoria dos políticos membros da magistratura. Estes sim configuram um verdadeiro ataque aos cofres públicos. Enquanto um professor da rede estadual tem vencimento base de R$ 1.179, um senador, depois e somados todos os benefícios do cargo, recebe cerca de R$ 147.000, mensais e ainda se aposenta depois de dois mandatos. Os membros do Judiciário também têm vantagens como recesso, duas férias, salários adicionais e benefícios como auxílio moradia, transporte entre outros. Quem é que ganha bem, no final das contas?


Aqueles que atacam a categoria, afirmando que ela ganha pouco por que trabalha pouco ou se aposenta precocemente, pode ser repudiado e desmascarado de forma contundente, que, por trás de tal discurso se encontra presente o velho sonho neoliberal de privatização do ensino público no Brasil. Nós conhecemos esta velha cantilena e não podemos aceitar que pessoas que não tenham nada a ver com a Educação destilem a sua proposta neoliberalizante  e privatista contra a Escola Pública e de qualidade em nosso país


Agora mesmo no Estado do Rio de Janeiro, os profissionais das escolas estaduais sofrem, desde o final do ano passado com os atrasos, parcelamentos e a falta de reajuste salarialdois anos. Por estes motivos, a rede estadual acaba de realizar uma histórica greve de mais de quatro meses. E um dos motivos da greve ter se prolongado por tanto tempo foi a demora do governo estadual em negociar e atender a nossa pauta de reivindicações.


Se alguém ganha muito e trabalha pouco no Brasil, com certeza não são os profissionais de educação das redes públicas do Rio de Janeiro. Parece que só a Veja e seu colunista não sabem disto.