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Sepe contesta editorial de O Globo sobre a greve na rede estadual e SAERJ


Em editorial publicado no dia 18 de maio, o Jornal o Globo criticou a greve dos educadores da rede estadual e a mobilização dos estudantes que estão ocupando as escolas para exigir melhores condições nas unidades estaduais. O jornal, num claro movimento pressão contra o movimento da educação estadual por reajuste salarial e pelo atendimento da pauta de reivindicações pedagógicas e de garantia de direitos como o calendário de pagamento regularizado para ativos e aposentados, tenta influenciar a opinião pública contra o livre direito dos educadores de fazer greve para garantir direitos e barrar os ataques do governo estadual. Uma das principais críticas do editorial se baseia num dos pontos colocados na mesa de negociação entre o Sepe e os representantes da SEEDUC: o fim do SAERJ. Veja a resposta do Sepe ao Globo:

"Com relação ao editorial publicado no dia 18 de maio, intitulado “Maus passos na Educação Fluminense” o Sepe vem refutar a posição expressa pelo Jornal O Globo, que critica a substituição do secretário de estado de Educação Antônio Neto pelo ex-presidente da CEDAE e da FAETEC, Wagner Victer, como fruto de uma pressão da categoria, em greve desde o dia 02 de março e um ato de submissão do governo estadual à pressões da greve e do movimento de ocupação das escolas por alunos. Seguindo este ponto de vista, o texto afirma que a proposta de extinção do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SAERJ), que foi colocada na mesa de negociação entre os profissionais e o governo por se tratar de uma reivindicação histórica da categoria, seria  um “nefasto escambo”, o qual representaria um anacronismo, fruto da pressão sindicalista.

Desde a implementação dos sistemas meritocráticos de avaliação, frutos de uma política neoliberal que tem por objetivo transformar a educação em “mercadoria” e os profissionais e alunos em máquinas voltadas para a produção de índices para a distribuição das parcas verbas para o setor, o Sepe e os profissionais de educação das redes públicas em nosso Estado têm lutado para a revogação de tais artimanhas. Ao longo dos últimos anos denunciamos e fomos testemunhas das distorções provocadas pelas avaliações como o SAERJ: denúncias de fraudes na realização dos exames, pressões da Secretaria de Educação e das suas Metropolitanas para obrigar os alunos a fazer as provas e, até mesmo, denúncias de diretores fraudando resultados para melhora dos índices nas suas escolas, além de provas restritas a poucas disciplinas. Outro ponto a ser discutido neste sistema é o fato dos financiamentos concedidos se voltam para as escolas consideradas "melhores" em um universo em que as condições não são igualitárias e mantém a precarização nas unidades mal avaliadas.

O sistema da Meritocracia, tão caro aos últimos governos que ocuparam o Palácio Guanabara, tem dado sinais evidentes de enfraquecimento em vários países onde foi implementado. alguns anos, a especialista em educação americana, Diane Ravitch, subsecretária de educação durante o governo Bush e uma das idealizadores e responsáveis pela implantação dos sistemas de avaliação nos EUA, esteve no Brasil e fez sua mea culpa criticando a meritocracia e os exames realizados com alunos nas escolas americanas. Ravitch é autora do livro Vida e morte do grande sistema escolar americano, onde critica a meritocracia e a privatização da educação em seu país, mostrando que as reformas e avaliações padronizadas tocadas nas escolas americanas a qualquer custo para a obtenção de índices favoráveis levou à uma disputa entre os professores e as direções das escolas na busca por bônus distribuídos a partir dos índices de desempenho. Na avaliação da especialista, tal disputa seria responsável pela atual crise vivida nas escolas americanas que apresentam visíveis sinais de queda no rendimento pedagógicos dos alunos treinados para se tornarem “máquinas” de realização de avaliações sistemáticas.

No caso da rede estadual, que sofre as consequências de um processo de sucateamento ao longo de sucessivos governos seguidores da cartilha neoliberal e meritocrática, a implementação de um sistema de avaliação como o SAERJ e sistemas de gestão integrada como a famigerada GIDE (Gestão Integrada da Escola), implementada pela SEEDUC na rede, nada mais são do que medidas visando a mercantilização do ensino que criam um sistema de premiações e bonificações por resultado, que nada tem a ver com uma educação voltada para a formação plena dos alunos.

No tocante à atual greve dos educadores da rede do Estado, esclarecemos que a categoria buscou, desde o final do ano passado, a abertura de canais de negociação com o governo Pezão e, agora, com o governador em exercício Francisco Dornelles e com a SEEDUC, com o objetivo de vermos atendida a pauta de reivindicações dos profissionais. Nesta pauta, constam reivindicações básicas, como reajuste salarial e garantias de recebimento dentro do calendário de pagamento, mas a maior parte do que é solicitado tem a ver com a parte pedagógica. Ou seja, a melhoria e a garantia das condições de trabalho, visando oferecer aos nossos alunos a verdadeira educação pública e de qualidade que a nossa população merece."