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O Senado acaba de arquivar a chamada “PEC da Blindagem”, que previa a aprovação prévia do Congresso para a abertura de ações penais que tivessem parlamentares como alvo e que havia sido aprovada, na semana passada, pelos deputados federais.

Pela manhã, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou a proposta por unanimidade: 27 votos a 0. O regimento do Senado prevê que, uma vez que a CCJ derrube uma proposta de forma unânime, cabe ao plenário apenas comunicar seu arquivamento, sem a possibilidade de recurso para uma nova votação.

O arquivamento ocorre após os atos realizados no domingo, dia 21/09, em todas as capitais do país, que reuniram dezenas de milhares de pessoas contra a PEC e contra o projeto de anistia aos golpistas, que ainda está tramitando na Câmara, em regime de urgência.

Agora, os movimentos sociais, sindicatos e toda a sociedade precisam manter a pressão para impedir que o projeto de anistia aos golpistas prospere na Câmara, além de garantir de projetos de real interesse dos trabalhadores, como o PL que isenta do imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil e o fim da jornada de trabalho 6×1.  

Sem anistia aos golpistas!

Veja a seguir os nomes dos deputados federais do Rio de Janeiro que aprovaram a PEC da Blindagem – vamos pressionar para que não aprovem a anistia:

Altineu Côrtes (PL)

Áureo Ribeiro (Solidariedade)

Bebeto Rodrigues (PP)

Carlos Jordy (PL)

Chris Tonietto (PL)

Dani Cunha (União Brasil)

Delegado Ramagem (PL)

Doutor Luizinho (PP)

General Pazuello (PL)

Gutemberg Reis (MDB)

Hélio Lopes (PL)

Hugo Leal (PSD)

Jorge Braz (Republicanos)

Julio Lopes (PP)

Juninho do Pneu (União Brasil)

Luciano Vieira (Republicanos)

Luis Carlos Gomes (Republicanos)

Luiz Antônio Corrêa (PP)

Marcelo Crivella (Republicanos)

Marcos Soares (União Brasil)

Marcos Tavares (PDT)

Max Lemos (PDT)

Murillo Gouvea (União Brasil)

Pedro Paulo (PSD)

Ricardo Abrão (União Brasil)

Roberto Monteiro Pai (PL)

Sargento Portugal (Podemos)

Soraya Santos (PL)

Sóstenes Cavalcante (PL)

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Em mais uma manobra que vai de encontro aos anseios da sociedade brasileira, a Câmara dos Deputados aprovou ontem (16) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mais conhecida como PEC da blindagem, que aumenta a blindagem judicial para deputados e senadores envolvidos nos mais diversos crimes. O texto, idealizado principalmente pelos deputados que compõem as bancadas de oposição e do chamado Centrão, foi aprovado em votação relâmpago em dois turnos (353 votos a favor e 134 contrários na primeira votação e 344 a 133 na segunda, realizada já na madrugada de hoje). Ainda ficaram faltando por votar dois destaques, antes do envio da proposta aprovada para o Senado.

O texto promove uma série de alterações em temas como medidas cautelares e foro privilegiado para deputados, senadores e presidentes de partidos. Os parlamentares favoráveis à blindagem afirmam que o texto aprovado seria uma volta às regras da Constituição de 1988. O que eles não explicam é que a PEC aprovada ontem esconde novas blindagens para políticos envolvidos em escândalos de corrupção ou de práticas de outros tipos de crimes, tais como a exigência de uma licença prévia do Congresso para a abertura de processos criminais contra deputados e senadores envolvidos em irregularidades.

A realidade mostra que enquanto duraram as regras da Constituição de 1988 (até 2001), os parlamentares barraram a maioria das tentativas de investigação contra deputados e senadores e autorizaram a abertura de apenas um processo. No caso de prisão em flagrante por crimes inafiançáveis, a proposta aprovada prevê votação em plenário para relaxar ou não a prisão dos acusados.

A PEC da blindagem foi aprovada em um momento grave vivido pela sociedade brasileira, com tentativas de golpes de estado e aprovação de projetos que em nada contribuem para a melhorias das condições de vida da população. Um exemplo disso é a utilização criminosa das chamadas emendas parlamentares, que se acentuou durante a segunda parte do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje condenado pelo STF por liderar uma tentativa de golpe de estado.

Estes congressistas que insistem na anistia para os golpistas e que se encontram acuados pelo escândalo da criminosa utilização das emendas e se acham sob investigação por outros crimes são, em sua maioria, integrantes dos partidos de centro e de direita, os mesmos que se mostram favoráveis ao livramento dos golpistas por meio de uma vergonhosa anistia. Não é à toa portanto, que eles tenham depositado todas as suas fichas na aprovação da blindagem, mesmo com a desaprovação da maioria da população, para escapar das garras da Justiça.

Chega a ser irônico que tais parlamentares, que permanentemente promovem ataques contra os trabalhadores e defendam a aprovação de medidas que retiram direitos dos trabalhadores, sejam os mesmos que a imprensa denuncia diariamente por envolvimento em casos como corrupção, atentado ao estado democrático de direito e até mesmo estupro e violência contra mulheres, negros e menores, se arroguem o poder de votar em benefício próprio uma proposta que os livra das investigações judiciais e inquéritos policiais. Recentemente, no Rio de Janeiro, um deles, deputado estadual do PL enviou projeto de lei para a Alerj para controlar a vestimenta dos professores em sala de aula, numa continuidade da tentativa da extrema direita de atacar a nossa liberdade de expressão e de cátedra nas escolas.

Os profissionais da educação das redes públicas do Rio de Janeiro repudiam mais esta manobra do Congresso que atenta contra a Constituição e fere o princípio da igualdade da Justiça para todos. O Sepe convoca a categoria a se unir ao movimento civil e à população em geral para levar para as ruas o nosso firme não à blindagem dos políticos e à anistia para os golpistas.
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