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Direções de escolas são exoneradas na rede municipal do Rio de Janeiro após contratação da empresa “Falconi Consultores SA”
29 de setembro de 2025

Cópia de documento no site da SME-RJ, com os valores relativos ao primeiro contrato com a Falconi (2022)
Ao menos três diretoras(es) de escolas municipais do Rio de Janeiro – E.M. Benevenuta Ribeiro (Méier); E.M. Presidente João Goulart (Andaraí); E.M. Vicente Licínio Cardoso (Centro) – foram exoneradas(os) de seus cargos em 2025 por não terem atingido os índices de aprovação escolar exigidos pela Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ). O Sepe investiga outros processos de exoneração que podem estar em andamento, pelo mesmo motivo.
Dentro das escolas, profissionais de educação constatam a forte influência que a “Falconi Consultores SA”, empresa contratada pela SME-RJ para uma “consultoria de gestão”, vem exercendo na rede. A Falconi se apresenta em seu site como “uma consultoria para geração de valor por meio de soluções em Gente e Gestão com tecnologia” e é conhecida por atuar em diferentes ramos da economia junto a grandes grupos empresariais, que têm como objetivo principal o lucro.

Diário Oficial, relativo à renovação do contrato entre a Falconi e a SMERJ (21/02/2025)
As direções de escolas municipais do Rio de Janeiro vêm tendo contato com essa empresa desde 2022, quando teve início o primeiro contrato com a SME-RJ, e a experiência tem sido bastante negativa.
FALCONI TEVE CONTRATO VOLUMOSO
Entre 2022 e 2024, a SME pagou quase R$ 16 milhões pelo contrato com a empresa, em valor considerado alto para os padrões da Secretaria. Já em fevereiro de 2025, o contrato foi renovado por mais um ano, no valor de R$ 11.682.520 (publicado no Diário Oficial de 21/02/2025) – veja as fotos nesta matéria.
Enquanto isso, o salário dos servidores municipais está congelado há 18 meses e o valor do vale alimentação da educação está congelado há 13 anos, em 12 reais…
A Falconi não é uma empresa de educação, mas sim uma consultoria especializada em índices e eficácia, o que deveria ser um verdadeiro corpo estranho à educação pública do Rio, mas tem se tornado cada vez mais comum nas políticas educacionais de todo o país.
A Falconi foi contratada para assessorar as unidades escolares, especialmente aquelas que apresentavam baixo rendimento dos alunos. No entanto, denúncias feitas ao Sepe mostram que a empresa vem pressionando os educadores a melhorar os índices, a partir de uma lógica empresarial totalmente distante da realidade escolar. Inclusive, em uma das escolas visitadas pelo Sepe, foi relatado que o “consultor” da Falconi sequer era educador.
A categoria já conhece essa união da atual administração da prefeitura com uma empresa que privilegia a gestão em ritmo empresarial, com a cobrança de índices definidos externamente, sem ouvir os profissionais de educação e o Sepe. Outra questão grave é a pressão da SMERJ por metas e uma espécie de “aprovação automática” disfarçada, visando melhorar artificialmente os resultados.
O sindicato está buscando mais informações, com o objetivo de entrar com uma representação no Ministério Público e provocar aquele órgão a investigar mais a fundo o que a empresa faz e todos os valores pagos – lembrando que, em novembro, haverá eleição para as direções de escolas e certamente a SME utilizará os dados dessa consultoria para influenciar na escolha dos gestores.
Com isso, o Sepe defende a autonomia escolar e democrática das unidades e não aceitará que a educação pública seja privatizada e regida por metas instituídas por empresas e suas plataformas.
