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Pesquisa nacional sobre a percepção da população sobre a educação 2026 coloca estados do Rio de Janeiro e São Paulo nos últimos lugares
3 de setembro de 2026
Matéria veiculada pela Folha de São Paulo hoje (03) sobre uma pesquisa intitulada “O que a população pensa sobre a educação 2026”, mostra que a população do Rio de Janeiro e de São Paulo têm a pior percepção a respeito da melhoria do ensino ministrado por escolas públicas de seus estados. Tanto no Rio como em São Paulo, 25% dos entrevistados disseram que a qualidade piorou ou piorou muito no período. Por outro lado, o estudo mostrou que 38% apontam que a situação melhorou ou melhorou muito no Rio de Janeiro e 33% disseram o mesmo do ensino em São Paulo. Segundo a reportagem da Folha, estes percentuais são os mais baixos entre todos os estados brasileiros.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Ideia a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação, reunindo 20 mil entrevistados com 16 anos ou mais durante os meses maio a julho deste ano.
Ainda segundo a matéria, no geral, 49% dos entrevistados avaliaram que a qualidade das unidades públicas de seu estado melhorou ou melhorou muito nos últimos quatro anos. 17% afirmam que piorou ou piorou muito. O destaque ficou para a Região Nordeste, que apresenta uma percepção mais positiva de evolução, com 56% de pessoas dizendo que melhorou ou melhorou muito. Alagoas (66%), Ceará e Sergipe (65%). O Sudeste ficou com o menor índice entre as regiões do Brasil (43%).
Os péssimos resultados do Rio de Janeiro e São Paulo nas avaliações educacionais como o IDEB serve como um balizador na hora da população avaliar as diferenças na qualidade da educação pública e isto certamente contou na hora da pesquisa com a população, explicou um dos coordenadores de políticas educacionais do Todos pela Educação. De acordo com este ponto de vista, a pesquisa não permitiria dizer exatamente o que explica a avaliação de cada estado, mas os dados mostram uma relação importante entre desempenho educacional e percepção da população.
O Rio de Janeiro ainda ficou com o troféu de piores índices entre todos os estados, quando o estudo focou a avaliação da qualidade das escolas públicas, sem a evolução temporal: 31% apontam ótimo ou bom e 28% como ruim ou péssimo. Já São Paulo ficou com 38% de ótimo e bom e 25% com ruim e péssimo.
Segundo a Folha a partir da pesquisa, na contramão, Santa Catarina (60% de ótimo e bom), Ceará (59%) e Paraná (57%) recebem as melhores avaliações de suas escolas públicas pela população.
Valorização da categoria tem destaque entre as prioridades apontadas pela pesquisa
Um dos pontos de destaque neste cenário de avaliação desigual e preocupação com a aprendizagem, diz a Folha, são as sugestões de prioridades para os próximos anos. Neste quesito, melhorar os salários da categoria e as condições de trabalho foram as medidas citadas por 53% dos entrevistados. Ampliação dos cursos técnicos para jovens do ensino médio vem em seguida, com 48%, empatado tecnicamente com a alfabetização de todas as crianças até os 8 anos (47%). Melhorar a formação dos professores aparece em seguida, com 37%, enquanto ampliar vagas em creches é citado por 23%.
Para o Sepe RJ, a colocação de Rio de Janeiro e São Paulo na pesquisa não causa surpresa. Há anos, a entidade denuncia a progressiva política de descaso e desinvestimento na educação público estadual e das redes municipais no nosso estado. Esta política de terra arrasada se materializa pelo oferecimento de falta de investimentos contínuos no setor e nas péssimas condições de trabalho por meio da não valorização dos profissionais que trabalham nas escolas públicas em nosso estado. No caso de São Paulo e, também no Rio de Janeiro, o resultado pode ser creditado como fruto de anos de práticas neoliberais e antidemocráticas que, aliadas ao desinvestimento e à desvalorização profissional contribuem para a percepção negativa da população sobre o andamento da educação nestas duas unidades federativas que são dois dos mais ricos estados da federação.
Fontes: Folha de São Paulo e Todos pela Educação
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