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Gestão Eduardo Paes contratou produtos do Banco Master para servidores municipais

Reportagem do jornalista Rubem Berta, no Jornal online Ururau, traz à tona ligações da prefeitura do Rio desde 2023 com o liquidado Banco Master. Segundo a matéria, o ex-prefeito e atual pré-candidato a governador Eduardo Paes pelo PSD, Eduardo Paes, foi o responsável pela assinatura de um decreto, em 16 de janeiro daquele ano, que disponibilizou aos servidores municipais a contratação de dois produtos do banco, entre outras instituições. Como sabemos, o Master foi liquidado em outubro do ano passado pelo Banco Central e seu dono, Daniel Vorcaro, se encontra preso por envolvimento num dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil.

Segundo o repórter, o decreto de 2023 assinado por Paes abriu caminho para a oferta ao funcionalismo municipal de dois dos produtos mais lucrativos do Master: o cartão de crédito consignado e o cartão consignado de benefício. Para isso, o decreto retirou uma fatia de 10% de uma margem consignável total de 55%, estabelecida em lei no ano de 2021, para ser usada especificamente em cartões de consignado, como os do Banco Master.

Com o decreto, explica Berta, o servidor passou a poder usar no máximo 45% do salário para aderir à modalidade tradicional de consignado, que possui juros mais baixos e maior previsibilidade. Os 10% restantes ficaram de fora para acomodar o apetite do Master e outros tubarões do mercado financeiro especializados em sugar o parco salário dos trabalhadores municipais.

Por outro lado, os cartões de consignado – que ficaram com uma fatia mínima de 5% cada um pela norma publicada por Paes – têm sido alvo de constantes reclamações e ações judiciais em diversos Estados por conta de cobranças abusivas que levam ao superendividamento de servidores.

MASTER FOI UM DOS PRIMEIROS A ASSINAR CONTRATO

A reportagem aponta que o Master foi uma das duas primeiras instituições que assinaram um contrato com a prefeitura para oferecer os cartões após o decreto de Paes. Isso ocorreu em 25 de janeiro de 2023, menos de dez dias depois que a nova norma começou a valer. Na mesma data, a Comprev Sociedade de Crédito também foi autorizada a oferecer o serviço.

Segundo o Ururau, o Master lançou à época uma forte campanha de marketing junto aos servidores, principalmente para a aquisição do Credcesta, o cartão de benefícios que era operado pelo banco. Os dois cartões cobravam, pelo menos o dobro dos juros do que o faziam bancos tradicionais com o consignado.

Perguntado pelo repórter sobre a situação, a prefeitura respondeu que “só 4% dos consignados são do Master”; ressalta também “que o crédito consignado é uma modalidade financeira de livre escolha de cada servidor, sem alocação de dinheiro público”.

A reportagem denuncia que os servidores se encontram temerosos e confusos com a situação, e vem ilustrada com contracheques de servidores com as cobranças em nome do Master. Como afirma Berta: “ao contrário de um consignado tradicional, em que aparece o número da parcela paga e o total que precisa ser quitado, só fica a numeração 1/1”.

O Credcesta era um dos produtos mais atrativos do Master, tendo chamado a atenção de gigantes do mercado financeiro – o ativo nem pertence mais ao Master, mas ao Banco Pleno, que também foi liquidado em fevereiro deste ano; uma instituição que teve como controlador Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que também foi alvo da Polícia Federal.

A reportagem lembra ainda que o ex-governador Claudio Castro (PL) favoreceu o Credcesta ao ampliar sua margem consignável para 20% e garantir exclusividade ao produto por quatro anos no estado do Rio de Janeiro.

Para o Sepe, o lucro de bancos advindo da exploração de milhares de servidores cariocas que se encontram em situação econômica desesperadora, muito por conta do arrocho salarial que vêm sofrendo, não pode ser considerada uma operação financeira “normal”. Por isso, a entidade informa que continuará acompanhando atentamente os desdobramentos do caso e cobrando esclarecimentos das autoridades responsáveis.

A reportagem pode ser lida aqui.

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