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Nota de solidariedade do Sepe RJ ao deputado federal Glauber Braga e de repúdio à aprovação no Congresso do projeto da redução das penas para golpistas

O Sepe RJ se solidariza com o deputado federal Glauber Braga (PSOL), que foi covardemente agredido enquanto era retirado do plenário da Câmara de Deputados durante a sessão de ontem (9) por protestar por ter sido incluído na pauta do grupo de parlamentares que terão seus mandatos sob análise do plenário da casa.

Glauber e outros deputados de esquerda, assim como jornalistas, foram agredidos pela Polícia Parlamentar e obrigados a se retirar do recinto num episódio marcado pela truculência e pelo arbítrio da parte do presidente da Câmara, Hugo Mota (Republicanos). Mota mandou cortar o sinal da TV Câmara, que transmitia ao vivo a sessão e ordenou que a segurança desocupasse a mesa do plenário, que naquele momento era ocupada por Glauber para protestar contra a nova tentativa de cassação do seu mandato.

Como se não bastasse o show de horrores do final da tarde, ainda neste mesmo dia, na calada da noite, a Câmara de Deputados aprovou já de madrugada o chamado projeto da dosimetria, que visa a redução das penas dos envolvidos na tentativa de golpe de estado em 2023, inclusive do chefe dos golpistas: Jair Bolsonaro. O projeto agora irá para ser votado pelo Senado.

O sindicato condena a aprovação do projeto que pode reduzir pela metade o tempo de prisão fechada do ex-presidente golpista e fazer com que ele avance, em dois anos e meio, para o regime de prisão domiciliar, uma espécie de anistia mais branda para os graves crimes cometidos por Bolsonaro e por seus seguidores.

Também repudiamos o tratamento dado pela presidência da Câmara ao deputado Glauber, muito diferente daquele concedido ao grupo de parlamentares bolsonaristas que, em agosto, impediram os trabalhos do plenário da casa durante dois dias sob o olhar complacente de Hugo Mota.

Para Glauber, a complacência foi zero e o arbítrio e violência foram utilizados de maneira nada sutil. A segurança do Congresso fez uso até de golpes de karatê para a retirada do deputado que tentou usar o espaço da mesa da presidência por alguns minutos para marcar seu legítimo posicionamento contra a tentativa de inclusão da sua cassação na barganha oferecida por Mota à extrema direita ao incluí-lo como moeda de troca no julgamento que pode cassar os deputados Carla Zambeli (PL), Alexandre Ramagem (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL). Os dois primeiros, já condenados pelo STF e foragidos no exterior e o último está sendo processado pelo Supremo por tentativa de interferência no julgamento dos envolvidos no golpe de estado.

Durante as 48 horas em que os bolsonaristas ocuparam a mesa em agosto passado e impediram a continuidade dos trabalhos, Mota mostrou toda a sua fraqueza política e falta de comando e foi obrigado a convocar o seu padrinho, Arthur Lira, para negociar a retirada dos extremistas de direita. Com Glauber, Mota, de forma covarde e que mostra toda a sua fraqueza de caráter, optou pela força e pelo aparato repressivo que tem a seu dispor. E conseguiu entrar para a história, com um dos espetáculos mais deprimentes vivido pelo Congresso neste século.

Ele conseguiu  de uma só tacada ressuscitar a censura ao promover o apagão da TV Câmara para que a sociedade não pudesse assistir a sua pusilanimidade e desnudar todas as tramoias e jogos de poder daqueles que se aliam às forças antidemocráticas que ali reinam para fazer passar a redução do tempo de cadeia para aqueles que tinham o claro objetivo de destruir as instituições democráticas no Brasil. Mota é a verdadeira face de um Congresso dominado por uma maioria de direita que claramente não gosta do povo, nem do Brasil. Apenas dos seus bolsos e dos seus interesses mesquinhos, como demonstram as suas votações ao longo deste mandato inteiro. A História não vai se esquecer disso. O povo brasileiro também não.

Sem anistia para golpistas!   

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