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A ex-secretária de Educação do governo Cláudio Castro, Roberta Barreto é alvo de uma operação policial que investiga contratos irregulares da SEEDUC para reformas de escolas estaduais, que chegam a R$ 1,6 bilhão. Segundo apuração do Jornal O Globo, a Ministério Público Estadual e a Polícia Civil cumprem na manhã desta quinta-feira (01) 19 mandados de busca e apreensão numa operação que mira integrantes que compuseram a cúpula da Secretaria na gestão do ex-governador Cláudio Castro. Ainda segundo as autoridades, o bloqueio dos bens dos investigados chega a cerca de R$ 19 milhões.

Os agentes estiveram na casa de Roberta Barreto, em Duque de Caxias, durante a operação denominada “Escola de Papel” que investiga uma organização suspeita de desviar dinheiro destinado a reformas de unidades escolares da rede estadual. Segundo a reportagem do Jornal O Globo de hoje (01), além de Barreto, estão sendo investigados integrantes da sua gestão na SEEDUC durante o governo Cláudio Castro, inclusive o genro dela, Yurie Ormonde André e o ex-subsecretário de administração, David de Andrade Marinho Filho. Há buscas também na capital, em Cabo Frio, em Arraial do Cabo e em Niterói.

O jornal vem publicando uma série de reportagens sobre as suspeitas de desvio de verbas da SEEDUC, com contratos sem licitação para reformas de escolas estaduais durante o governo Cláudio Castro. Segundo o Globo, com base em informações do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governador em exercício Ricardo Couto, investigações e auditorias apontam, entre outras irregularidades, a suspeita de cartel em vários contratos num suposto esquema de cartas marcadas apontando vencedores para tocarem as obras nas unidades educacionais. O GSI apurou que estas contratações ao longo dos últimos anos alcançaram a soma de R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025.

Além de indícios de direcionamento de contratações, a apuração aponta superfaturamento e lavagem de dinheiro, afirma o MPRJ. São investigados os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os alvos na operação desta quinta-feira, Yurie é capitão do Corpo de Bombeiros. Também estão na mira Fabio Martins Pereira, apontado como braço financeiro do esquema e proprietário da Virtual Construtora; e o policial militar Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie.

A operação é coordenada pelos promotores com Atribuição Originária Criminal do procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF), da Polícia Civil.

Para os investigadores, a ex-secretária e o ex-subsecretário ocupavam postos estratégicos na autorização das despesas e na liberação dos recursos. A apuração também encontrou vínculos entre os responsáveis pelos saques e pelo transporte do dinheiro e pessoas próximas à antiga direção da Seeduc.

Para o Sepe, o anúncio destas operações contra a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto e integrantes da sua administração não chegam a causar espanto. Durante toda a gestão de Barreto, denunciamos em nossas redes sociais os resultados de investigações e denúncias apuradas pelo Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público Estadual sobre realização de compras superfaturadas e com dispensa de licitação efetuadas pela SEEDUC e uma série de outras acusações envolvendo malversação e desvio de verbas no órgão.

O sindicato defende a continuação das operações policiais para apuração dos desvios e fraudes na Educação Estadual e espera que todos os envolvidos nesta apropriação bilionária do dinheiro que deveria ser investido na educação dos filhos da classe trabalhadora sejam responsabilizados e respondam perante a Justiça por todos os seus malfeitos.

 

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Reportagem do portal do Jornal O Globo de hoje (30) apresenta uma série de denúncias a partir de investigações e auditorias efetuadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governador em exercício Ricardo Couto em contratos da gestão do ex-governador Cláudio Castro, em especial na SEEDUC, sob a gestão da ex-secretária Roberta Barreto. Segundo a matéria, o GSI estima que até R% 1,6 bilhão em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação contenham indícios de fraude e, até mesmo, de formação de cartel.

Segundo o Globo, com base em informações do governo estadual os contratos foram suspensos para reavaliação. A suspeita é de que 95% das 1.241 escolas estaduais tenham contratado obras de forma irregular, segundo o Gabinete de Segurança do governador em exercício.

A reportagem mostra que entre os indícios de atos ilícitos há dispensas de licitação – uma prática recorrente durante a gestão de Barreto à frente da SEEDUC e alvo de diversas investigações do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público Estadual, como no caso das compras de livros paradidáticos – para reformas na unidades escolares, os quais, pelos valores envolvidos, não poderiam ter sido feitas. Desde 2022, uma resolução do então secretário Alexandre Valle criou um teto de R$ 880,00 para despesas de emergência.

Ainda de acordo com a reportagem do Portal do Globo, as investigações e auditorias apontam para a suspeita de existência de um cartel em vários contratos analisados, um suposto esquema de cartas marcadas para vencedores tocarem reformas em unidades educacionais.

Um dos exemplos apontados mostra uma escola cívico-militar de Realengo, que deveria ser inaugurada no início de 2026, mas no local só existe refugo de obras espalhado. O endereço da unidade fantasma – um dos carros chefes das promessas de campanha de candidatos da extrema direita ligados ao Bolsonarismo (no debate dos candidatos a governador do dia 29/9, o presidente da ALERJ, Douglas Ruas, exaltou este nefasto modelo de educação militarizada) –, onde já deveria funcionar a tal escola cívico-militar, o cenário é de abandono, segundo a equipe do jornal que esteve no local.

De acordo com o GSI, foram aprovados R$ 14,3 milhões em despesas para a construção desta unidade fantasma, englobando quatro contratos firmados com empreiteiras e R$, 47 milhões só para desapropriação do terreno.

As denúncias das auditorias realizadas até agora prosseguem com os contratos de obras e reformas em outras unidades da rede estadual, que também foram feitos de forma irregular. Segundo o GSI todas a auditorias com indícios de crime foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual. Segundo a reportagem as irregularidades foram encontradas em outas secretarias da antiga gestão de Cláudio Castro. De acordo com o chefe do GSI, delegado Roberto Leão, os responsáveis identificados responderão por improbidade e terão de ressarcir os cofres públicos.

A matéria completa pode ser lida no link: http://glo.bo/bo6312e
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A secretária estadual de Educação, Roberta Barreto, foi exonerada nesta terça-feira (24) pelo governador Cláudio Castro. Após uma gestão de três anos, a saída de Barreto faz parte de um rearranjo nos quadros da SEEDUC, iniciada em 27 de janeiro, com a exoneração de 23 assessores da Subsecretaria de Gestão de Ensino em meio a uma disputa pelo comando do órgão. Barreto foi indicada pelo ex-presidente da ALERJ, deputado Rodrigo Bacellar (UNIÃO), rompido com o governador desde o ano passado e afastado do cargo por decisão do STF por suspeita de vazamento de informações sobre operações policiais no caso da prisão do ex-deputado TH Jóias. Para o lugar da secretária exonerada foi indicada a assistente social Luciana Martins Calaça, que deixa o cargo de presidente da Fundação Leão XIII para assumir a pasta da Educação.

Luciana foi candidata a deputada federal nas últimas eleições pelo REPUBLICANOS, mas não se elegeu. Informações apontam que ela foi indicada pelo deputado federal Altineu Cortes, uma das lideranças do PL no estado, num movimento mais amplo de ocupação de espaços estratégicos pelo partido do governador em órgãos da administração direta do estado do Rio de Janeiro.

Roberta afirmou que a sua exoneração foi realizada a pedido, para se candidatar nas eleições de outubro deste ano para a Assembleia Legislativa. Mas a troca já vinha sendo especulada desde o ano passado por causa da disputa de Cláudio Castro com o ex-presidente da ALERJ. A SEEDUC deve passar por uma reformulação nos seus quadros com a substituição da assessoria por nomes ligados ao partido.

A gestão de Roberta Barreto foi marcada por escândalos com investigações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público (MPE) sobre compras superfaturadas de livros paradidáticos, kits de robótica e aluguel da nova sede da Secretaria, na Cidade Nova. Todas as denúncias envolveram gastos de milhões de reais, e denúncias de irregularidades nos processos de compra. Seu nome também esteve ligado ao escândalo de gastos no CEDERJ, tendo sido uma das nomeadas em cargos secretos, no esquema que pode custar o cargo de Cláudio Castro.

O escândalo mais recente, que teve ampla cobertura da imprensa pouco antes do carnaval, envolveu a contratação de empresas de fachada para reformas nas escolas estaduais, através do Sistema Descentralizado de Pagamento, ao custo de R$ 1 bilhão nos últimos dois anos. Por meio destas contratações, algumas das empresas de construção civil e reformas que ganharam a concorrência possuem o mesmo dono, endereço, consultor e engenheiro. Nas denúncias, o genro da secretária, Yurie Ormond Andre, bombeiro, e outro oficial da corporação, o capitão bombeiro Marcelo da Silva Reis, são apontados como envolvidos no esquema. Enquanto o gasto neste tipo de reforma cresceu de forma exponencial, as escolas seguem com problemas estruturais crônicos, incluindo a cruel ausência de climatização nas escolas.

Roberta Barreto deixa o cargo com saldo bastante negativo. Questões importantes para a categoria não tiveram resposta ou solução por parte da Secretaria, a começar pela pauta econômica. Nossa categoria recebe um dos piores salários do País e parte dos professores e funcionários está hoje com vencimentos-base abaixo do salário mínimo nacional. Desde a greve da rede estadual de 2023, Roberta, junto com o governador Cláudio Castro, vem afirmando que não é possível pagar o piso nacional nas carreiras ou melhorar os salários, aprofundando a situação de perdas históricas que afeta profissionais da ativa e aposentados da educação. Ao mesmo tempo, recursos da Educação e do Fundeb eram comprometidos.

Do ponto de vista pedagógico, sua gestão foi marcada pelo grave retrocesso com a implementação da aprovação automática, que mascara os dados para permitir que o Estado alcance melhores posições em indicadores nacionais. No mesmo modo que, no apagar das luzes de sua gestão, criou o Diário de Classe Eletrônico, sem garantir condições e sob ameaça para quem deixar de lançar as notas. Uma gestão que adiou a implementação de uma nova grade para o Ensino Médio, com a volta das disciplinas, após a mudança no Congresso Nacional, mesmo com o Sepe e movimentos de Educação terem apresentado proposta alternativa para nova grade que garantisse a qualidade e a oferta das disciplinas em todos os anos e com o mínimo de dois tempos, tema que inclusive fez parte de acordo judicial de greve.

Sua gestão foi marcada pelo aprofundamento da crônica carência de profissionais nas escolas, como professores, inspetores e porteiros; ampliada pela ausência de concurso público – o último foi há 10 anos. A migração de parte dos professores para a jornada de 30 horas, o que poderia ampliar a presença em sala, não parece ter sido suficiente para mitigar a carência, sendo apenas um novo destino para os tempos ocupados por GLPs. Em vez de convocar o banco de aprovados e iniciar a preparação de novos concursos, Barreto escolheu ampliar a terceirização e precarização, começando o ano anunciando 1.750 contratos temporários, visando atingir o percentual de 30% de temporários na rede aprovado pela Alerj.

Compromissos não cumpridos

Há temas nos quais sua gestão vinha negociando, inclusive com grupos de trabalho e compromissos assumidos com a categoria, mas que a gestora deixa pendente. Como a regularização da situação funcional dos animadores culturais; a migração dos servidores da antiga FAEP aos quadros da FAETEC, e o abono funcional de dias de greves e paralisações, inclusive descontados indevidamente, e as férias no mesmo período das redes municipais.

Do ponto de vista pedagógico, destaca-se ainda em sua gestão o aumento da perseguição política a educadores, com a instalação de uma corregedoria formada por militares, que levou a uma média de uma sindicância aberta a cada dia e culminando em punições e na demissão do professor João Paulo Cabrera. Perseguição que pode ser intensificada com a chegada na pasta de um partido que defende projetos marcadamente antidemocráticos e contra a liberdade de cátedra dos profissionais de educação como o chamado “Escola sem Partido” e o projeto das escolas cívico militares, pautas defendidas pelo presidente da Comissão de Educação da Alerj.

Nova gestão

O Sepe acompanha o processo de redesenho e reformulação dos quadros da Secretaria de Educação e vê com preocupação o fato de fatores políticos estarem, mais uma vez, tendo prioridade na hora da composição e estruturação do órgão. Outro ponto negativo, no nosso entender é o fato da nova secretária anunciada não integrar a categoria: ela é assistente social, formada pela UFRJ e esteve como presidente da Fundação Leão XII desde dezembro de 2022, tendo pautado a sua experiência profissional na área social e não na educacional.

Esperamos que, ainda assim, a nova gestão se paute pela negociação efetiva com a categoria e iniciativas que busquem a valorização dos profissionais e a qualidade do ensino.

O sindicato também espera que as investigações envolvendo os escândalos da atual gestão, como os acima mencionados, tenham prosseguimento e que as denúncias de corrupção na SEEDUC sejam apuradas e que todos os responsáveis sejam punidos com o rigor da lei.
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