destaque-home, Municipal, Todas
Após quase 2 anos do último reajuste, Eduardo Paes concede apenas 4,71%, índice muito abaixo das perdas acumuladas pelos servidores
20 de dezembro de 2025
A Prefeitura do Rio de Janeiro divulgou que irá conceder um reajuste salarial de 4,71% aos servidores municipais, a ser aplicado na folha de pagamento de janeiro, com depósito previsto apenas para fevereiro.
O último reajuste dos servidores municipais foi de 5,26%, referente à inflação acumulada em 2023, aplicado na folha de abril de 2024. Dessa forma, com o atual reajuste, os servidores ficaram praticamente dois anos sem reajuste.
Embora o prefeito Eduardo Paes tenha prometido, durante a campanha eleitoral de 2020, retomar o reajuste anual para o funcionalismo, como este índice de 4,71% será pago apenas em 2026, os servidores ficarão todo o ano de 2025 sem aumento.
Estudo realizado pelo Sepe-DIEESE mostra que o índice necessário para que os salários da educação municipal do Rio de Janeiro retornem ao mesmo poder de compra de março de 2019 seria de 29,44% pelo INPC-IBGE e de 29,49%, de acordo com o IPCA-IBGE, considerando os salários de novembro de 2025.
Ou seja, o índice concedido agora pelo prefeito é muito menor do que o necessário para que os profissionais da educação recuperem o poder aquisitivo que tinham há seis anos.
O Sepe-DIEESE também realizou um estudo comparativo sobre quantas cestas básicas um professor da rede municipal conseguia adquirir em 2019 e quantas consegue atualmente. Segundo o estudo, o Professor I (Licenciatura Plena), com 16 horas de carga horária, comprava, com o seu vencimento-base de março de 2019, 4,60 cestas básicas; atualmente, o mesmo professor consegue comprar apenas 3 cestas.
Além de desconsiderar as perdas acumuladas ao longo desses anos, o prefeito também não reajustou o vale-alimentação, mantido há mais de 10 anos no irrisório valor de R$ 12.
Ou seja, com esse reajuste irrisório, o prefeito assume definitivamente o arrocho salarial imposto ao servidor municipal do Rio de Janeiro.
Em outubro, o Sepe lançou uma campanha publicitária em defesa dos direitos dos profissionais de educação cariocas, que, além de sofrerem um severo arrocho salarial, enfrentam também excesso de trabalho e assédio moral, fatores que provocam o adoecimento da categoria, gerando afastamentos e pedidos de aposentadoria. Essa situação é agravada pela falta de profissionais e pela “minutagem” — que redefiniu a contagem da carga horária dos professores da rede —, aprovada no final de 2024.
Diante desse cenário, o Sepe defende a recomposição das perdas salariais da categoria — não aceitamos, de modo algum, esse reajuste infame! Contra o assédio e a carga excessiva de trabalho, o sindicato defende a realização de concurso público e o combate à privatização e à terceirização da rede — somos especialmente contrários à atuação de empresas privadas nas escolas, que consomem vultosos recursos públicos.
Prefeito Eduardo Paes, respeite os profissionais da educação — sem educação, não dá!
